Aposentadoria em 2026: o que mudou nas regras do INSS?
Você acreditar estar próximo de se aposentar?
As mudanças nas regras de aposentadoria podem afetar significativamente o seu futuro financeiro.
Este artigo reúne as informações que você precisa conhecer para tomar a melhor decisão.
A Reforma da Previdência (Emenda Constitucional 103/2019) trouxe um novo cenário para o INSS, com um cronograma de transição que ajusta, ano a ano, os requisitos para você se aposentar.
O ano de 2026 marca mais uma etapa crucial com o aumento da idade mínima e da pontuação exigida.
Essa progressão tem como objetivo garantir a sustentabilidade da Previdência Social/INSS, mas, ao mesmo tempo, gera insegurança em muitos trabalhadores.
Compreender essas alterações é fundamental para evitar a perda de direitos ou atrasos na concessão do seu tão sonhado benefício previdenciário.
Vamos ao que interessa? Boa leitura.
Quais as principais mudanças nas aposentadorias em 2026?
O ano de 2026 trouxe novas exigências para quem busca uma aposentadoria pelas regras de transição implementadas pela Reforma da Previdência de 13/11/2019:
- Aumento da idade: na regra de transição da idade mínima progressiva;
- Aumento da pontuação: na regra de transição por pontos.
Por isso, é fundamental você conhecer esses ajustes para planejar seu futuro.
Acompanhe os próximos tópicos e descubra o que mudou em 2026.

Aumento da idade: regra de transição da idade mínima progressiva
A idade exigida na regra de transição da idade mínima progressiva passou a demandar mais 6 meses na faixa etária tanto de mulheres quanto de homens em 2026.
- Para mulheres: idade mínima passou de 59 anos para 59 anos e 6 meses;
- Para homens: idade mínima passou de 64 anos para 64 anos e 6 meses.
E olhe só: preste atenção na tabela abaixo, pois a idade exigida na regra de transição da idade mínima progressiva seguirá aumentando nos próximos anos.
Essa elevação é parte do cronograma da Reforma da Previdência, que busca atingir 62 anos para mulheres e 65 anos para homens.
| Ano | Idade para mulheres | Idade para homens |
| 2025 | 59 anos | 64 anos |
| 2026 | 59 anos e 6 meses | 64 anos e 6 meses |
| 2027 | 60 anos | 65 anos |
| 2028 | 60 anos e 6 meses | 65 anos |
| 2029 | 61 anos | 65 anos |
| 2030 | 61 anos e 6 meses | 65 anos |
| 2031 | 62 anos | 65 anos |
Aumento da pontuação: regra de transição por pontos
A pontuação exigida na regra de transição por pontos, que é soma da idade + o tempo de contribuição, passou a requerer 1 ponto extra tanto das mulheres quanto dos homens em 2026.
- Para mulheres: a pontuação subiu de 92 para 93 pontos;
- Para homens: a pontuação subiu de 102 para 103 pontos.
Essa progressão de um ponto por ano tem como objetivo a sustentabilidade da previdência, exigindo mais tempo de contribuição e/ou idade para você atingir a pontuação e acessar o benefício de aposentadoria.
Na tabela abaixo, repare como ficará a pontuação nos próximos anos:
| Ano | Pontuação para mulheres | Pontuação para homens |
| 2025 | 92 | 102 |
| 2026 | 93 | 103 |
| 2027 | 94 | 104 |
| 2028 | 95 | 105 (limite) |
| 2029 | 96 | 105 |
| 2030 | 97 | 105 |
| 2031 | 98 | 105 |
| 2032 | 99 | 105 |
| 2033 | 100 (limite) | 105 |
Cronograma de progressão
Para você entender melhor, saiba que as mudanças em 2026 são mais um passo em um cronograma que se estenderá por anos.
- Idade mínima: aumenta 6 meses a cada ano até atingir 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens);
- Pontuação: aumenta 1 ponto a cada ano até atingir 100 pontos (mulheres) e 105 pontos (homens).
Esse processo contínuo exige atenção constante ao seu planejamento previdenciário.
Por isso, para se aposentar com a regra certa, cumprindo todos os requisitos exigidos, entre em contato com um advogado especialista.
Solicite a análise completa e detalhada de todo o seu histórico contributivo e o seu planejamento com um profissional de confiança.
Quais regras de aposentadoria não mudaram em 2026?
Apesar das progressões, algumas regras de aposentadoria permanecem estáveis em 2026 (sem sofrer alterações), oferecendo previsibilidade para certos grupos de trabalhadores:
- Regra de transição da aposentadoria por idade: filiados ao INSS antes de 13/11/2019;
- Regra permanente: filiados ao INSS após 13/11/2019 — após a última Reforma da Previdência.
Regra de transição da aposentadoria por idade: filiados ao INSS antes de 13/11/2019
Para quem já contribuía antes da Reforma da Previdência, a regra de transição da aposentadoria por idade não mudou em 2026.
Os requisitos seguem os mesmos.
Requisitos exigidos das mulheres:
- Idade mínima: 62 anos de idade;
- Tempo de contribuição: 15 anos;
- Carência: 180 meses.
Requisitos exigidos dos homens:
- Idade mínima: 65 anos de idade;
- Tempo de contribuição: 15 anos;
- Carência: 180 meses.
Esses requisitos são fixos e não alteram anualmente.
Regra permanente: filiados ao INSS após 13/11/2019
Para quem começou a contribuir para o INSS somente após a Reforma da Previdência de 13/11/2019, essa é a regra definitiva.
Requisitos exigidos das mulheres:
- Idade mínima: 62 anos de idade;
- Tempo de contribuição: 15 anos;
- Carência: 180 meses.
Requisitos exigidos dos homens:
- Idade mínima: 65 anos de idade;
- Tempo de contribuição: 20 anos;
- Carência: 180 meses.
Entenda: a regra permanente (também chamada de definitiva) estabelece o novo padrão para o INSS, com um tempo de contribuição maior apenas para homens.
Quem pode ser afetado pelas aposentadorias que mudaram em 2026?
O grupo de trabalhadores que não completou os requisitos exigidos nas regras de transição da idade mínima progressiva ou da aposentadoria por pontos até 31/12/2025 poderá ser afetado pelas mudanças que ocorreram agora em 2026.
- Regra de transição da idade mínima progressiva: passou a exigir mais 6 meses de idade em 2026;
- Regra de transição por pontos: passou a exigir um ponto a mais em 2026.
Exemplo da Marta
Em 2025, Marta completou 59 anos de idade e 33 anos de tempo de contribuição.
Se ela não tiver dado entrada na regra de transição da idade mínima progressiva em 2025, terá que aguardar até completar 59 anos e 6 meses de idade para se aposentar por essa regra em 2026.
Afinal de contas, a regra de transição da idade mínima progressiva, que requer 59 anos de idade das mulheres em 2025, passou a exigir mais 6 meses de idade em 2026.
Quais outras regras de transição existem?
Além das regras de transição que mudaram em 2026, também existem outras modalidades de transição, mas que não sofreram alterações agora neste ano:
- Regra de transição do pedágio de 50%;
- Regra de transição do pedágio de 100%;
- Regra de transição da aposentadoria especial por insalubridade e/ou periculosidade.
Regra de transição do pedágio de 50%
A regra de transição do pedágio de 50% é possível para quem estava próximo de se aposentar em 2019, na data da Reforma da Previdência de 13/11/2019.
Requisitos exigidos das mulheres:
- Idade mínima: não exige;
- Tempo de contribuição: 30 anos;
- Pedágio: 50% do tempo quer faltava para completar 30 anos de contribuição na data da Reforma (13/11/2019);
- Carência: 180 meses;
- Observação: a mulher precisava estar a menos de dois anos de se aposentar na data da Reforma, ou seja, estar com no mínimo 28 anos e 1 dia de contribuição.
Requisitos exigidos dos homens:
- Idade mínima: não exige;
- Tempo de contribuição: 35 anos;
- Pedágio: 50% do tempo quer faltava para completar 35 anos de contribuição na data da Reforma (13/11/2019);
- Carência: 180 meses;
- Observação: o homem precisava estar a menos de dois anos de se aposentar na data da Reforma, ou seja, estar com no mínimo 33 anos e 1 dia de contribuição.
A regra do pedágio de 50% é uma opção para quem busca se aposentar mais cedo, sem a exigência de ter que atingir uma idade mínima.
Porém, vale você saber que a regra de transição do pedágio de 50% aplica o fator previdenciário — um tipo de cálculo que pode acabar diminuindo o valor da sua aposentadoria caso você seja uma pessoa considerada jovem para se aposentar.
O fator previdenciário leva em consideração três variáveis:
- Idade;
- Tempo de contribuição;
- Expectativa de vida.
Se você for uma pessoa classificada pelo INSS como jovem para se aposentar, poderá receber uma quantia indesejada de aposentadoria.
Portanto, antes de dar entrada no seu benefício, solicite todos os cálculos possíveis para um advogado especialista em direito previdenciário e em cálculos.
Regra de transição do pedágio de 100%
A regra de transição do pedágio de 100% combina idade mínima, porque exige idade mínima de 57 anos para mulheres e de 60 anos para homens, com um pedágio maior.
Requisitos exigidos das mulheres:
- Idade mínima: 57 anos;
- Tempo de contribuição: 30 anos;
- Pedágio: 100% do tempo quer faltava para completar 30 anos de contribuição na data da Reforma da Previdência (13/11/2019);
- Carência: 180 meses.
Requisitos exigidos dos homens:
- Idade mínima: 60 anos;
- Tempo de contribuição: 35 anos;
- Pedágio: 100% do tempo quer faltava para completar 35 anos de contribuição na data da Reforma da Previdência (13/11/2019);
- Carência: 180 meses.
Entenda: a regra do pedágio de 100% pode ser vantajosa para quem busca uma aposentadoria com idade mínima reduzida em comparação às regras de transição que mudaram em 2026.
De qualquer forma, é importante você conversar com um advogado especialista em direito previdenciário para saber qualquer regra é mais vantajosa no seu caso.
Regra de transição da aposentadoria especial por insalubridade e/ou periculosidade
A regra de transição da aposentadoria especial por insalubridade e/ou periculosidade é destinada a profissionais que trabalharam expostos a condições prejudiciais à saúde, em contato frequente com agentes químicos, físicos e/ou biológicos.
Essa regra, apesar não exigir idade mínima, requer o cumprimento de uma pontuação que é a soma da idade + o tempo mínimo de contribuição em atividade especial + o tempo de contribuição em atividade comum (se houver).
Na tabela abaixo, confira todos os requisitos exigidos tanto das mulheres quanto dos homens:
| Grau de nocividade | Tempo mínimo de contribuição em atividade especial | Pontuação |
| Alto | 15 anos de contribuição | 66 pontos |
| Médio | 20 anos de contribuição | 76 pontos |
| Baixo | 25 anos de contribuição | 86 pontos |
Atenção: a aposentadoria especial por insalubridade e/ou periculosidade exige documentação específica, como o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP).
Por que fazer um planejamento previdenciário estratégico?
Fazer um planejamento previdenciário estratégico é fundamental para entender as regras de aposentadoria e garantir o melhor benefício possível no futuro.
Como a legislação previdenciária possui diversas regras, se planejar com antecedência pode evitar decisões equivocadas que reduzam o valor da sua aposentadoria.
Uma das questões centrais do planejamento é a comparação de cenários.
A existência de várias regras de transição exige análise cuidadosa para identificar qual delas é a mais vantajosa no seu caso.
Para isso, é necessário avaliar seu tempo de contribuição e histórico de salários, comparando, por exemplo, a diferença entre se aposentar mais cedo, com um benefício menor, ou aguardar mais tempo para receber um valor maior do INSS.
Outro aspecto essencial é a importância de fazer todos os cálculos possíveis.
Por isso, é indispensável conferir seu Extrato CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) no Meu INSS e verificar se todos os seus períodos trabalhados foram registrados corretamente.
Cuidado: erros ou pendências no CNIS podem atrasar a concessão do seu benefício ou até diminuir o valor que você tem para receber.
Então, é fundamental corrigi-los o quanto antes, de preferência após a análise e a orientação de um advogado previdenciário.
Quais são os procedimentos administrativos no INSS?
Os procedimentos administrativos no INSS são as etapas que um segurado precisa seguir para solicitar a aposentadoria de forma correta e evitar atrasos ou indeferimentos.
O pedido de aposentadoria envolve uma sequência de atos administrativos que devem ser observados com atenção.
- Prazos para requerimento junto ao INSS;
- Documentação necessária;
- Processamento e revisão do benefício.
Prazos para requerimento junto ao INSS
Não existe um prazo final obrigatório para pedir sua aposentadoria.
No entanto, o momento do requerimento é decisivo, pois a data do pedido define qual regra de aposentadoria será aplicada na análise do benefício.
Atualmente, o canal mais utilizado e eficiente para fazer o requerimento é o Meu INSS, que permite a solicitação de forma totalmente online.
Porém, para você não correr o risco de fazer um pedido errado, com documentação insuficiente ou rasurada, converse com um profissional de confiança.
Documentação necessária
Os documentos exigidos podem variar conforme o tipo de aposentadoria, mas alguns são indispensáveis.
É necessário apresentar documentos de identificação, como RG, CPF e certidão de nascimento ou casamento.
Também, são exigidos documentos trabalhistas e previdenciários, como a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e o extrato CNIS.
Em casos específicos, podem ser solicitados documentos adicionais, como o PPP e o LTCAT para garantir aposentadoria especial por insalubridade e/ou periculosidade.
Manter a documentação organizada e correta é fundamental para evitar atrasos na análise do seu pedido.
Recurso administrativo
Após o envio do requerimento, o INSS inicia a análise administrativa.
Esse procedimento pode levar bastante tempo em situações complexas.
Caso seu benefício seja negado/indeferido, concedido com erro no cálculo ou na aplicação da regra de aposentadoria, é possível entrar com um recurso administrativo no prazo de até 30 dias após a decisão.
Conclusão
As regras de aposentadoria que mudaram em 2026 evidenciam a importância de você fazer um planejamento previdenciário estratégico.
Buscar orientação jurídica pode ser decisivo para garantir o melhor valor de benefício e o momento mais vantajoso para se aposentar.
Quem reúne os requisitos necessários em 2026 deve avaliar com atenção a possibilidade de requerer uma aposentadoria ainda no início deste ano.
Afinal de contas, há regras que vão mudar e ficarão mais rígidas em 2027 e nos próximos anos.
Para quem não se enquadra em nenhuma possibilidade, fazer acompanhamento anual permite identificar com precisão o melhor cenário.
Diante da complexidade das normas previdenciárias, solicitar análise técnica especializada torna-se essencial.
Profissionais da área jurídica podem:
- Examinar cada caso;
- Definir a estratégia mais adequada; e
- Atuar tanto na esfera administrativa quanto na judicial.
Se este conteúdo foi útil para você, compartilhe com outras pessoas.
Muitos segurados desconhecem as regras de transição e acabam perdendo tempo para se aposentar.
Abraço! Até o próximo artigo.

Paulo Ricardo Fortis Kwietniewski é advogado da Barbieri Advogados, especialista em Direito Previdenciário, com pós-graduação lato sensu pela Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul (ESMAFE/RS). Inscrito na OAB/RS sob o nº 95.901, possui 10 anos de atuação exclusiva na área, com expertise técnica diferenciada em consultoria preventiva e contencioso previdenciário.
E-mail: paulo.fortis@barbieriadvogados.com
