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Tesoureiro da Caixa: cargo de confiança e horas extras (Tema 86)

16.10.2025
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18 min de leitura

Atualizado em outubro de 2026.

A dúvida sobre se o tesoureiro da Caixa exerce cargo de confiança foi resolvida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em 2025. No Tema 86, fixado sob o rito dos recursos repetitivos, o Tribunal definiu que o tesoureiro de retaguarda e o tesoureiro executivo da Caixa Econômica Federal desempenham atribuições técnicas, sem a fidúcia especial exigida pelo art. 224, § 2.º, da CLT. Afastado esse enquadramento, aplica-se a jornada de seis horas dos bancários, e a 7.ª e a 8.ª horas trabalhadas passam a ser devidas como extras. Este artigo explica a tese, os critérios da Súmula 102 do TST, o cálculo das horas extras, a compensação da gratificação de função, a prescrição e a prova do direito.

Em resumo: no Tema 86, o TST fixou que os tesoureiros de retaguarda e os tesoureiros executivos da Caixa Econômica Federal desempenham atribuições técnicas e não ocupam cargo de confiança bancária (art. 224, § 2.º, da CLT). A jornada é de seis horas, e a 7.ª e a 8.ª horas são devidas como extras, com adicional mínimo de 50%, divisor 180 e reflexos. Em regra, a gratificação de função não compensa essas horas (Súmula 109 do TST); na Caixa, admite-se abater a diferença de gratificação ligada à opção pela jornada de oito horas (OJ Transitória 70 da SBDI-1). A cobrança alcança os cinco anos anteriores à ação, proposta em até dois anos após o fim do contrato.

Tesoureiro da Caixa tem cargo de confiança? O que decidiu o TST

Em 2025, ao reafirmar sua jurisprudência sob o rito dos recursos repetitivos, o TST fixou a tese do Tema 86 no julgamento do RRAg-1000803-77.2022.5.02.0433, com o seguinte teor:

“Os empregados da Caixa Econômica Federal que exercem função de tesoureiro de retaguarda ou tesoureiro executivo desempenham atribuições técnicas que não configuram fidúcia especial apta a enquadrá-los como ocupantes de cargo de confiança bancária a que alude o art. 224, § 2º, da CLT.”

A controvérsia girava em torno da natureza das atribuições. Os tesoureiros respondem pelo numerário da agência, pela conferência dos caixas e pela custódia de valores, e recebem gratificação de função. A Caixa sustentava que o acesso ao cofre e a guarda dos valores revelavam confiança diferenciada, o que justificaria a jornada de oito horas; a tese firmada considerou essas tarefas técnicas e insuficientes para caracterizar a fidúcia especial que a lei exige.

O julgamento consolidou orientação que o próprio TST já vinha adotando e tem efeito vinculante: juízes e tribunais do trabalho devem aplicar a tese aos processos que tratem da mesma questão. O funcionamento desse sistema e os demais temas já fixados estão reunidos no artigo sobre as teses vinculantes do TST.

Jornada do bancário e cargo de confiança no art. 224 da CLT

O art. 224 da CLT fixa em seis horas contínuas, nos dias úteis, exceto aos sábados, a jornada dos empregados em bancos, casas bancárias e na própria Caixa Econômica Federal, mencionada expressamente no dispositivo, num total de 30 horas semanais. A mesma jornada alcança as financeiras, equiparadas aos bancos pela Súmula 55 do TST, reafirmada no Tema 261, como explica o artigo sobre financeiras equiparadas a bancos.

O § 2.º do art. 224 exclui dessa regra quem exerce funções de direção, gerência, fiscalização, chefia e equivalentes, ou outros cargos de confiança, desde que receba gratificação não inferior a um terço do salário do cargo efetivo. Os requisitos são cumulativos: a gratificação, sozinha, não transforma a função em cargo de confiança, e a fidúcia especial sem a gratificação mínima também não basta, caso em que a 7.ª e a 8.ª horas são devidas como extras (Súmula 102, III, do TST). Quem se enquadra na exceção cumpre jornada de oito horas, e só as horas além da oitava são extras (Súmula 102, IV).

Há ainda um terceiro regime. O gerente-geral de agência tem presumido o exercício de encargo de gestão e se submete ao art. 62, II, da CLT, sem controle de jornada (Súmula 287 do TST, reafirmada com efeito vinculante no Tema 253). A distinção entre os gerentes enquadrados no art. 224, § 2.º, e o gerente-geral é tratada no artigo sobre o gerente-geral de agência bancária.

Situação Fundamento Jornada Horas extras
Bancário sem cargo de confiança (inclusive caixa e tesoureiro da Caixa) Art. 224, caput, da CLT; Súmula 102, VI; Tema 86 do TST 6 horas diárias e 30 semanais A partir da 7.ª hora
Cargo de confiança bancário Art. 224, § 2.º, da CLT; Súmula 102, IV 8 horas diárias A partir da 9.ª hora
Gerente-geral de agência Art. 62, II, da CLT; Súmula 287 Sem controle de jornada Em regra, não há, salvo prova de que faltavam poderes de gestão

Súmula 102 do TST: o que conta são as atribuições reais

A Súmula 102 do TST reúne os critérios aplicados ao cargo de confiança bancário. O item I estabelece que a configuração, ou não, da função de confiança depende da prova das reais atribuições do empregado, e que essa análise não pode ser refeita em recurso de revista ou de embargos. Na prática, a ação costuma se definir na Vara do Trabalho e no Tribunal Regional, onde a prova é produzida e avaliada.

O item VI aplica esse critério ao caixa bancário: ainda que caixa executivo, ele não exerce cargo de confiança, e a gratificação igual ou superior a um terço do salário remunera apenas a maior responsabilidade do cargo, não as duas horas além da sexta. O raciocínio do Tema 86 é semelhante: lidar com numerário e valores exige responsabilidade e confiança, mas não a fidúcia especial de quem exerce direção, gerência, fiscalização ou chefia.

Entre os elementos que costumam ser examinados estão a existência de subordinados, o poder de assinar pela unidade ou de aprovar operações dentro de alçadas próprias, a participação em decisões e a autonomia em relação às normas internas. A nomenclatura do cargo, o registro no plano de cargos e o valor da gratificação não resolvem a questão isoladamente. Para quem de fato exerce cargo de confiança e recebe gratificação não inferior a um terço, as duas horas excedentes da sexta já estão remuneradas (item II).

Quem é alcançado pela tese e quem fica de fora

A tese abrange os empregados da Caixa que exercem as funções de tesoureiro de retaguarda e de tesoureiro executivo, ainda que formalmente enquadrados no art. 224, § 2.º, da CLT ou que tenham optado pela jornada de oito horas no plano de cargos. A opção não prevalece: ausente a fidúcia especial, a adesão à jornada de oito horas é ineficaz, e a 7.ª e a 8.ª horas são devidas como extras, conforme a Orientação Jurisprudencial Transitória 70 da SBDI-1 do TST.

Outras funções da Caixa, como as de assistente, avaliador ou supervisor, não são alcançadas automaticamente. O enquadramento delas depende das atribuições efetivamente exercidas (Súmula 102), com prova própria em cada caso. O mesmo vale para tesoureiros de outros bancos: o Tema 86 trata apenas da Caixa, embora o critério das atribuições reais seja o mesmo em todo o sistema bancário.

A tese também não altera a situação dos gerentes: o gerente-geral continua sujeito à presunção do art. 62, II, da CLT, e os demais gerentes podem estar no art. 224, § 2.º, quando exercem de fato fidúcia especial e recebem a gratificação mínima. O critério distintivo é a natureza das atribuições, execução técnica de um lado e direção, gerência, fiscalização ou chefia de outro, e não o título do cargo.

Como calcular as horas extras do tesoureiro da Caixa

Reconhecida a jornada de seis horas, cada 7.ª e 8.ª hora trabalhada é paga como extra. O valor da hora normal é obtido pela divisão da remuneração mensal pelo divisor 180, próprio da jornada de seis horas (Súmula 124, I, do TST), e a base inclui a gratificação de função e as demais parcelas salariais (Súmula 264 do TST). Sobre a hora normal incide o adicional mínimo de 50% (art. 7.º, XVI, da Constituição Federal), ou o percentual maior previsto em norma coletiva.

As horas extras habituais repercutem nos repousos remunerados (Súmula 172 do TST), nas férias com um terço, no 13.º salário (Súmula 45) e no FGTS (Súmula 63). No caso do bancário, o sábado é dia útil não trabalhado, e não dia de repouso remunerado (Súmula 113 do TST), de modo que o reflexo sobre ele depende de previsão em norma coletiva. O cálculo dessas parcelas com verbas variáveis é tratado nos guias sobre férias e 13.º salário.

Um exemplo com valores hipotéticos de 2026, que não correspondem à tabela salarial da Caixa, ajuda a dimensionar o direito. Considere um tesoureiro com remuneração mensal de R$ 7.200,00, somados salário e gratificação de função, que trabalhou oito horas por dia durante 21 dias úteis no mês.

Etapa Cálculo Resultado
Valor da hora normal R$ 7.200,00 ÷ 180 R$ 40,00
Valor da hora extra (adicional de 50%) R$ 40,00 × 1,5 R$ 60,00
Horas extras no mês 2 horas × 21 dias 42 horas
Valor mensal, sem reflexos 42 × R$ 60,00 R$ 2.520,00
Um ano, descontado o mês de férias 11 × R$ 2.520,00 R$ 27.720,00
Cinco anos, sem reajustes 5 × R$ 27.720,00 R$ 138.600,00

O resultado é apenas uma ordem de grandeza: reajustes, afastamentos, reflexos, correção monetária e juros alteram o valor final, apurado na liquidação com os contracheques e os controles de ponto. Também influi a eventual compensação da gratificação, tratada a seguir: se o plano de cargos previsse, para a mesma função, gratificação R$ 1.000,00 menor na jornada de seis horas, e a compensação da OJ Transitória 70 fosse aplicada, o saldo mensal do exemplo cairia para R$ 1.520,00.

A gratificação de função pode ser compensada com as horas extras?

A regra geral está na Súmula 109 do TST: o bancário não enquadrado no art. 224, § 2.º, da CLT que receba gratificação de função não pode ter as horas extras compensadas com o valor dessa vantagem.

Para a Caixa, a OJ Transitória 70 da SBDI-1 abriu uma exceção limitada. O Plano de Cargos em Comissão da empresa permitia, para determinadas funções, a opção entre as jornadas de seis e de oito horas, com gratificações de valores distintos. Reconhecida a ineficácia da opção pela jornada de oito horas, a diferença de gratificação recebida em razão dessa adesão pode ser compensada com as horas extras deferidas. O que se abate é a diferença entre as gratificações das duas jornadas, e não a gratificação inteira.

A aplicação dessa compensação aos tesoureiros depende da estrutura do plano no período discutido. Há decisões do TST que autorizam o abatimento da diferença entre as gratificações de oito e de seis horas e decisões, inclusive de tribunais regionais, que o afastam com base na Súmula 109 quando o plano não previa, para a função, valor distinto para a jornada de seis horas. O ponto deve ser examinado à luz dos normativos internos vigentes em cada época.

A terceira camada é a norma coletiva. A convenção coletiva dos bancários passou a prever, a partir da CCT 2018/2020 (cláusula 11), a dedução do valor da gratificação de função das horas extras deferidas judicialmente quando afastado o enquadramento no art. 224, § 2.º. Depois que o Supremo Tribunal Federal declarou constitucionais os acordos e as convenções coletivas que limitam ou afastam direitos trabalhistas, respeitados os direitos absolutamente indisponíveis (Tema 1.046 da repercussão geral, ARE 1.121.633), turmas do TST passaram a validar essa cláusula. A questão foi afetada ao rito dos recursos repetitivos no Tema 28 do TST, ainda sem tese firmada na data desta atualização. Nas ações contra a Caixa, é preciso verificar se a norma coletiva aplicável a cada período contém cláusula dessa natureza e se ela alcança o caso.

Prescrição: até quando é possível cobrar a 7.ª e a 8.ª horas

O prazo segue o art. 7.º, XXIX, da Constituição e o art. 11 da CLT: a ação deve ser proposta em até dois anos após o fim do contrato e alcança as parcelas dos cinco anos anteriores ao seu ajuizamento, e não dos cinco anos anteriores à extinção do contrato (Súmula 308, I, do TST). Para quem continua na Caixa, cada mês sem ação faz prescrever um mês no início do período.

Como o direito à jornada de seis horas está assegurado em lei (art. 224, caput, da CLT), a jurisprudência do TST aplica a prescrição parcial, e não a prescrição total prevista na Súmula 294 para alterações do contrato: a opção pela jornada de oito horas, feita anos antes, não extingue o direito às horas extras dos meses ainda não prescritos. Um tesoureiro que ajuíze a ação em outubro de 2026 pode cobrar as horas extras desde outubro de 2021; se o contrato terminou em junho de 2025, o prazo para ajuizar a ação vai até junho de 2027.

O ajuizamento da reclamação interrompe a prescrição apenas quanto aos pedidos idênticos (art. 11, § 3.º, da CLT, e Súmula 268 do TST), e a ação movida pelo sindicato como substituto processual também produz esse efeito (OJ 359 da SBDI-1). Não se confunde com esse prazo a prescrição intercorrente trabalhista, de dois anos, que corre durante a execução (art. 11-A da CLT).

Como provar o direito e como pedir

Nas ações de tesoureiros da Caixa, a tese do Tema 86 simplifica a discussão sobre a natureza da função, e a prova se concentra no exercício de uma das funções abrangidas e na jornada efetivamente cumprida. Cabe à empresa, que alega a exceção do art. 224, § 2.º, provar os fatos que a caracterizariam (art. 818, II, da CLT). Os controles de ponto, os contracheques com a rubrica da gratificação, os normativos internos que descrevem as atribuições e o histórico funcional costumam ser as provas centrais.

A prova testemunhal também é relevante. Colegas que também litigam contra a Caixa podem depor: o simples fato de a testemunha litigar ou ter litigado contra o mesmo empregador não a torna suspeita, conforme a Súmula 357 do TST. Depoimentos e laudos produzidos em outros processos podem ser aproveitados como prova emprestada, observado o contraditório (art. 372 do CPC).

A petição inicial deve trazer pedidos certos, determinados e com indicação de valor (art. 840, § 1.º, da CLT), o que exige estimar as horas extras antes do ajuizamento, como explica o artigo sobre o art. 840 da CLT. Em 2026, com o salário mínimo de R$ 1.621,00, as causas de até R$ 64.840,00 (40 salários mínimos) seguem o procedimento sumaríssimo (art. 852-A da CLT). Os pedidos rejeitados podem gerar honorários de sucumbência em favor do advogado da parte contrária, fixados entre 5% e 15% (art. 791-A da CLT).

PDV, opção pela jornada de oito horas e mudança de função

A ineficácia da opção pela jornada de oito horas (OJ Transitória 70 da SBDI-1) não significa que toda prorrogação da jornada do bancário seja inválida: o art. 225 da CLT permite prorrogá-la, excepcionalmente, até oito horas diárias e 40 semanais, desde que as horas excedentes sejam pagas como extras. O que não se admite é tratar como jornada normal de oito horas a de quem não exerce cargo de confiança, nem contratar horas extras no ato da admissão do bancário, contratação nula segundo a Súmula 199, I, do TST.

A adesão a um plano de demissão voluntária (PDV) exige cuidado. Pelo Tema 152 do STF (RE 590.415), a adesão a plano de dispensa incentivada gera quitação ampla e irrestrita das parcelas do contrato quando essa condição consta expressamente do acordo coletivo que aprovou o plano e dos demais instrumentos assinados pelo empregado; o art. 477-B da CLT prevê efeito semelhante para planos previstos em convenção ou acordo coletivo, salvo disposição em contrário. Sem esse respaldo coletivo, a quitação tende a alcançar apenas as parcelas e os valores discriminados no recibo (OJ 270 da SBDI-1). Antes de aderir, convém verificar a cláusula de quitação e estimar o valor das horas extras que seriam abrangidas. A mesma atenção vale para a quitação geral em acordo extrajudicial. Sobre o tema, veja o nosso guia sobre as verbas rescisórias na dispensa sem justa causa.

Por fim, a promoção a um cargo que envolva, de fato, direção, gerência, fiscalização ou chefia, com gratificação mínima de um terço, muda o regime a partir da nomeação: a jornada de oito horas passa a ser válida, e as horas extras deixam de incluir a 7.ª e a 8.ª. O direito relativo ao período anterior, como tesoureiro, não se perde com a promoção, respeitada a prescrição.

Perguntas frequentes sobre o tesoureiro da Caixa e o cargo de confiança

O tesoureiro da Caixa tem cargo de confiança?

Não. No Tema 86, o TST fixou que os empregados da Caixa Econômica Federal que exercem a função de tesoureiro de retaguarda ou de tesoureiro executivo desempenham atribuições técnicas, sem a fidúcia especial exigida pelo art. 224, § 2.º, da CLT. Por isso, a jornada é de seis horas, e a 7.ª e a 8.ª horas trabalhadas são devidas como extras.

O que diz a Súmula 102 do TST sobre o cargo de confiança bancário?

A súmula estabelece que o enquadramento no art. 224, § 2.º, da CLT depende da prova das reais atribuições do empregado, e não do nome da função ou do pagamento de gratificação. Também prevê que o caixa bancário, ainda que caixa executivo, não exerce cargo de confiança, e que o bancário efetivamente enquadrado na exceção cumpre jornada de oito horas.

A opção pela jornada de oito horas no plano de cargos da Caixa impede a cobrança?

Não. Sem a fidúcia especial, a adesão à jornada de oito horas é ineficaz, e a 7.ª e a 8.ª horas são devidas como extras, conforme a OJ Transitória 70 da SBDI-1 do TST. A mesma orientação admite compensar a diferença de gratificação recebida em razão dessa adesão.

A gratificação de função é descontada das horas extras?

Em regra, não: a Súmula 109 do TST impede compensar as horas extras com a gratificação de função do bancário que não exerce cargo de confiança. Na Caixa, admite-se abater a diferença de gratificação ligada à opção pela jornada de oito horas, e a validade das cláusulas coletivas de compensação, reconhecida por turmas do TST após o Tema 1.046 do STF, aguarda julgamento no Tema 28 do TST.

Como são calculadas as horas extras do tesoureiro?

A remuneração mensal, incluída a gratificação de função, é dividida por 180 para obter o valor da hora normal, sobre o qual incide o adicional mínimo de 50%. As horas extras habituais repercutem em repousos remunerados, férias com um terço, 13.º salário e FGTS.

Qual é o prazo para cobrar as horas extras?

A ação deve ser proposta em até dois anos após o fim do contrato e alcança as horas extras dos cinco anos anteriores ao ajuizamento (art. 7.º, XXIX, da Constituição). Como a jornada de seis horas está assegurada em lei, a prescrição é parcial, e cada mês trabalhado gera uma pretensão própria.

O Tema 86 vale para tesoureiros de outros bancos?

Não diretamente, porque a tese trata das funções de tesoureiro de retaguarda e de tesoureiro executivo da Caixa Econômica Federal. Nos demais bancos, aplica-se o critério da Súmula 102 do TST, e o enquadramento depende das atribuições efetivamente exercidas.

Quem aderiu a um PDV ainda pode cobrar as horas extras?

Depende dos termos do plano. Pelo Tema 152 do STF, o PDV aprovado em acordo coletivo gera quitação ampla quando essa condição consta expressamente do acordo e dos instrumentos assinados pelo empregado, e o art. 477-B da CLT atribui efeito semelhante aos planos previstos em norma coletiva, salvo disposição em contrário. Sem respaldo coletivo, a quitação tende a alcançar apenas as parcelas e os valores discriminados no recibo (OJ 270 da SBDI-1 do TST).

Conclusão

O Tema 86 encerrou a discussão sobre a natureza das funções de tesoureiro de retaguarda e de tesoureiro executivo na Caixa: são funções técnicas, sujeitas à jornada de seis horas, e a 7.ª e a 8.ª horas trabalhadas são devidas como extras. O valor efetivo do direito, porém, depende de pontos que a tese não resolveu, como a compensação da gratificação, que envolve a OJ Transitória 70, as normas coletivas e o Tema 28 ainda pendente no TST, e a prescrição, que avança mês a mês. Só a análise dos normativos internos, dos contracheques e dos controles de ponto de cada período permite quantificar a pretensão com segurança.

Principais pontos deste artigo:

  • O Tema 86 do TST afasta o cargo de confiança dos tesoureiros de retaguarda e dos tesoureiros executivos da Caixa.
  • A jornada é de seis horas; a 7.ª e a 8.ª horas são extras, com divisor 180 e adicional mínimo de 50%.
  • O enquadramento no art. 224, § 2.º, da CLT depende das atribuições reais e de gratificação mínima de um terço (Súmula 102 do TST).
  • Em regra, a gratificação não compensa horas extras (Súmula 109); na Caixa, pode-se abater a diferença de gratificação da OJ Transitória 70, e as cláusulas coletivas de compensação aguardam o Tema 28 do TST.
  • A cobrança alcança os cinco anos anteriores à ação, proposta em até dois anos após o fim do contrato, com prescrição parcial.

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Maurício Lindenmeyer Barbieri é sócio-gerente da Barbieri Advogados. Mestre em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Inscrito na Ordem dos Advogados da Alemanha (RAK Stuttgart n.º 50.159), de Portugal (Lisboa n.º 64.443L) e do Brasil (OAB/RS n.º 36.798 · OAB/DF · OAB/SC · OAB/PR · OAB/SP). Contador — CRC-RS n.º 106.371/O. Membro da Associação de Juristas Brasil-Alemanha (DBJV). Professor universitário.

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e reflete a legislação e a jurisprudência vigentes em outubro de 2026. Não constitui aconselhamento jurídico nem substitui a análise individualizada de cada caso. Para assessoria especializada, entre em contato com a Barbieri Advogados.

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