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Controle de uso do banheiro no trabalho: limites e dano moral

03.11.2025
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17 min de leitura

Atualizado em outubro de 2026.

O controle de uso do banheiro no trabalho só é admitido na medida em que serve para organizar a substituição do empregado no posto: limitar o número de idas, fixar tempo máximo, condicionar a saída à autorização de um superior ou punir quem se ausenta para satisfazer necessidades fisiológicas é tratado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) como abuso do poder diretivo, que gera indenização por dano moral. A matéria será uniformizada no Tema 117 dos recursos repetitivos do TST, ainda pendente de julgamento. Este artigo expõe os fundamentos legais, as regras da NR-17 e da NR-24, os critérios da indenização, os meios de prova e as cautelas das empresas.

Em resumo: a empresa pode saber que o empregado deixou o posto e providenciar sua substituição, mas não pode limitar o número de idas ao banheiro, cronometrar o tempo, exigir autorização que pode ser negada nem punir quem se ausenta por necessidade fisiológica. A NR-24 obriga o empregador a garantir condições para que o trabalhador interrompa suas atividades e use as instalações sanitárias (item 24.9.8); no teleatendimento, a NR-17 assegura a saída do posto a qualquer momento, sem reflexo em avaliações ou remuneração. Para o TST, a restrição gera dano moral independentemente de prova do abalo. O Tema 117, que uniformizará a matéria, ainda não foi julgado.

O que diz a lei sobre o controle de uso do banheiro no trabalho?

Não há na CLT um artigo dedicado ao uso do banheiro durante a jornada. A proteção resulta da combinação de normas constitucionais, legais e regulamentares. A Constituição Federal elege a dignidade da pessoa humana como fundamento da República (art. 1.º, III), declara invioláveis a intimidade e a honra, assegurando indenização pelo dano moral decorrente de sua violação (art. 5.º, X), e garante a redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança (art. 7.º, XXII). Esses direitos vinculam também o empregador, por força da eficácia horizontal dos direitos fundamentais.

O art. 2.º da CLT atribui ao empregador a direção da prestação pessoal de serviço, o que inclui organizar turnos, postos e substituições. Esse poder encontra limite nos direitos da personalidade: o art. 223-C da CLT, incluído pela Reforma Trabalhista (Lei n. 13.467/2017), relaciona entre os bens juridicamente tutelados a honra, a intimidade, a autoestima, a saúde e a integridade física, todos atingidos quando uma necessidade fisiológica passa a depender da conveniência produtiva.

A NR-24, na redação da Portaria SEPRT n. 1.066/2019, exige em todo estabelecimento instalação sanitária com bacia sifonada e lavatório (item 24.2.1), na proporção mínima de uma para cada grupo de 20 trabalhadores ou fração, separadas por sexo (item 24.2.2), mantida em condição de conservação, limpeza e higiene (item 24.2.3). Mais importante para o tema, o item 24.9.8 determina que “devem ser garantidas condições para que os trabalhadores possam interromper suas atividades para utilização das instalações sanitárias”. Não basta que o banheiro exista: o trabalho deve ser organizado de modo que ele possa ser usado.

A empresa pode controlar a ida ao banheiro?

Necessidades fisiológicas são involuntárias e, muitas vezes, inadiáveis. Por isso, a jurisprudência não separa o controle da ausência de controle, mas a organização legítima do trabalho da restrição. A empresa pode saber que o empregado deixou o posto, pedir que avise o líder para ser substituído e registrar a ausência por razões de segurança ou de continuidade do serviço. Extrapola o poder diretivo, porém, transformar esse registro em limitação.

Prática Tendência da jurisprudência Fundamento
Pedir que o empregado avise o líder para ser substituído Admitida, desde que a substituição ocorra sem demora e sem constrangimento Art. 2.º da CLT (poder diretivo)
Limitar o número de idas por turno ou por dia Restrição ilícita, que gera dano moral Art. 5.º, X, da Constituição; item 24.9.8 da NR-24
Fixar tempo máximo ou cronometrar a permanência Restrição ilícita, que gera dano moral Arts. 223-B e 223-C da CLT
Exigir autorização do superior, que pode negá-la ou adiá-la Restrição ilícita quando a saída depende da concordância do superior Item 24.9.8 da NR-24
Permitir o uso apenas nas pausas ou no intervalo Restrição ilícita; no teleatendimento, há vedação expressa Item 6.7 do Anexo II da NR-17
Descontar do salário, reduzir prêmios ou rebaixar a avaliação pelo tempo no banheiro Ilícito no teleatendimento; nos demais setores, indício de restrição indireta Art. 462 da CLT; item 6.7 do Anexo II da NR-17
Divulgar rankings de pausas ou comentar publicamente as idas ao banheiro Agrava a ofensa e o valor da indenização Art. 223-G, XII, da CLT (grau de publicidade)
Exigir substituição prévia em linha de produção Em discussão Terceira questão do Tema 117 do TST

A restrição também pode ser indireta: uma meta que só se cumpre sem idas ao banheiro, ou um prêmio que diminui a cada minuto fora do posto, produz o mesmo efeito de uma proibição expressa. Quanto aos descontos, o art. 462 da CLT, em regra, só admite os decorrentes de adiantamentos, de lei ou de norma coletiva, como se explica no artigo sobre desconto salarial.

Isso não impede a empresa de lidar com abusos concretos: ausências reiteradas e prolongadas, sem relação com necessidades fisiológicas, podem ser tratadas individualmente, com base em fatos documentados. O que a jurisprudência repele são regras gerais que submetam todos os empregados a cotas ou cronômetros.

Restrição ao uso do banheiro gera dano moral?

Sim. Segundo o próprio TST, sua jurisprudência está consolidada no sentido de que a restrição ao uso do banheiro, mediante controle de tempo ou de frequência, configura abuso do poder do empregador e gera dano moral sem necessidade de comprovação do abalo. Trata-se do dano moral in re ipsa, ou presumido: provada a conduta, o sofrimento decorre da própria situação de quem precisa conter uma necessidade fisiológica ou expor-se para satisfazê-la, e o empregado não precisa demonstrar, por exemplo, que adoeceu.

A presunção não dispensa a prova da conduta. Cabe ao empregado demonstrar que a limitação existia, fato constitutivo do seu direito (art. 818, I, da CLT); a empresa pode demonstrar que o acesso era livre. O dano presumido também não é regra geral no Direito do Trabalho: o TST o reconhece em hipóteses específicas, como a retenção da CTPS (Tema 192) e a justa causa por improbidade não comprovada (Tema 62), mas o afasta em outras, como o atraso no pagamento das verbas rescisórias (Tema 143). A restrição ao banheiro pertence, na jurisprudência atual, ao primeiro grupo; se essa posição será mantida, e com qual alcance, é o que o Tema 117 decidirá.

O que está em julgamento no Tema 117 do TST?

Para uniformizar a matéria, o TST instaurou incidente de julgamento de recursos repetitivos, registrado como Tema 117 (processo IncJulgRREmbRep-133-52.2023.5.05.0008), sob a relatoria do ministro Alexandre Agra Belmonte. O procedimento está previsto no art. 896-C da CLT, e a tese que vier a ser fixada terá efeito vinculante para a Justiça do Trabalho, como se explica no artigo sobre as teses vinculantes do TST.

São três as questões submetidas a julgamento: (1) “É ilícito o controle ou a limitação, pelo empregador, ao uso do banheiro durante a jornada de trabalho do empregado?”; (2) “O controle ao uso do banheiro, pelo empregador, durante a jornada de trabalho, configura dano moral in re ipsa?”; e (3) “A hipótese em que há prestação de serviços em linha de produção, com necessidade de substituição prévia do empregado no posto de trabalho, configura distinção?”.

Em 25 de agosto de 2026, o relator conduziu audiência pública para colher subsídios técnicos e jurídicos sobre os limites do controle. Até a data desta atualização, o TST não havia fixado tese no Tema 117, que figura na tabela de recursos repetitivos do Tribunal como afetado e sem tese firmada, e prevalece, por ora, a jurisprudência consolidada do Tribunal.

Teleatendimento, linhas de produção e pausas obrigatórias

Teleatendimento e telemarketing

No teleatendimento, a questão tem regra expressa. O item 6.7 do Anexo II da NR-17, na redação da Portaria MTP n. 423/2021, determina que, “com o fim de permitir a satisfação das necessidades fisiológicas, a organização deve permitir que os operadores saiam de seus postos de trabalho a qualquer momento da jornada, sem repercussões sobre suas avaliações e remunerações”. O item 8.1 exige sanitários permanentemente adequados ao uso e separados por sexo. Métricas de aderência e de produtividade não podem, portanto, penalizar o operador pelo tempo gasto no banheiro.

Essa saída não se confunde com as pausas do mesmo anexo. O operador cumpre no máximo seis horas diárias de efetiva atividade, nelas incluídas as pausas (item 6.3), e tem direito a duas pausas de dez minutos contínuos, fora do posto (item 6.4.1), além de intervalo de vinte minutos para repouso e alimentação (item 6.4.2). As pausas têm finalidade ergonômica; exigir que o operador reserve a ida ao banheiro para esses momentos esvazia as duas garantias. A jornada da categoria está tratada no artigo sobre a jornada de 6 horas no telemarketing, e a norma de ergonomia fora do escritório, no artigo sobre a NR-17 no teletrabalho.

Linhas de produção

Em linhas de produção contínuas, como as de frigoríficos e montadoras, a saída de um empregado pode exigir que outro ocupe o posto. É a hipótese da terceira questão do Tema 117. As empresas sustentam que a rendição é medida de organização e de segurança, e não de restrição; os trabalhadores apontam que, quando o substituto demora ou não existe em número suficiente, a espera se converte em limitação de fato. Qualquer que seja a tese, dimensionar substitutos de acordo com a demanda real de saídas é a forma de conciliar a continuidade da produção com o item 24.9.8 da NR-24.

Outras pausas previstas em lei

O mesmo raciocínio vale para outras pausas legais, como o intervalo de recuperação térmica do art. 253 da CLT, devido a quem trabalha em câmaras frigoríficas, e o intervalo para repouso e alimentação do art. 71 da CLT. Cada uma tem finalidade própria, e nenhuma substitui a liberdade de atender, a qualquer momento, a uma necessidade fisiológica.

Qual o valor da indenização por restrição ao uso do banheiro?

Não há tabela própria para o caso. A indenização segue os arts. 223-A a 223-G da CLT, incluídos pela Reforma Trabalhista. O juiz considera, entre outros fatores, a intensidade do sofrimento ou da humilhação, a extensão e a duração dos efeitos da ofensa, o grau de dolo ou culpa, a situação econômica das partes e o grau de publicidade da ofensa (art. 223-G, caput), e enquadra a ofensa em um dos parâmetros do § 1.º, calculados sobre o último salário contratual do ofendido.

Natureza da ofensa Parâmetro (art. 223-G, § 1.º, da CLT) Exemplo com último salário de R$ 2.500,00
Leve Até 3 vezes o último salário contratual Até R$ 7.500,00
Média Até 5 vezes o último salário contratual Até R$ 12.500,00
Grave Até 20 vezes o último salário contratual Até R$ 50.000,00
Gravíssima Até 50 vezes o último salário contratual Até R$ 125.000,00

Em junho de 2023, ao julgar as ADIs 6.050, 6.069 e 6.082, o Supremo Tribunal Federal decidiu que esses critérios devem ser observados como critérios orientativos de fundamentação da decisão e que é constitucional o arbitramento de valores superiores aos limites do § 1.º quando as circunstâncias do caso concreto e os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da igualdade o justificarem. A tabela é referência, e não teto absoluto. Na reincidência entre as mesmas partes, o valor pode ser elevado ao dobro (art. 223-G, § 3.º).

Na restrição ao uso do banheiro, pesam sobretudo a duração da prática, a forma de controle e a exposição do empregado: um controle cronometrado mantido por anos, com advertências diante dos colegas ou rankings de pausas, tende a ser enquadrado como mais grave que uma limitação breve. A condição pessoal também importa, como a de gestantes, de pessoas com doenças urinárias ou intestinais e de quem usa diuréticos. Se a restrição contribuir para o adoecimento, a discussão pode alcançar danos materiais e o reconhecimento de doença ocupacional, que depende de prova pericial do nexo com o trabalho.

Como comprovar a restrição ao uso do banheiro?

Como a conduta precisa ser provada, reunir elementos ainda durante o contrato faz diferença. São meios de prova usuais:

  • avisos, regulamentos internos e comunicados que limitem idas, tempos ou horários;
  • mensagens e e-mails de supervisores cobrando ou questionando as saídas do posto;
  • relatórios de sistemas de pausas e indicadores que registrem o tempo fora do posto e seus efeitos em metas, prêmios ou avaliações;
  • advertências e avaliações de desempenho que mencionem as idas ao banheiro;
  • depoimentos de colegas que presenciaram a prática;
  • atestados e prontuários médicos, quando houver adoecimento associado à retenção.

A gravação de conversa feita por um dos interlocutores, sem o conhecimento do outro, é prova lícita segundo o Supremo Tribunal Federal (Tema 237 da repercussão geral). O prazo para reclamar é o do art. 7.º, XXIX, da Constituição: cinco anos, contados retroativamente do ajuizamento da ação, limitado a dois anos após a extinção do contrato. As regras sobre a distribuição do ônus da prova são as mesmas aplicáveis às demais faltas do empregador.

A restrição ao uso do banheiro autoriza a rescisão indireta?

Pode autorizar, conforme a gravidade. O art. 483 da CLT permite ao empregado considerar rescindido o contrato e pleitear as verbas da dispensa sem justa causa quando for tratado com rigor excessivo (alínea “b”), quando o empregador não cumprir as obrigações do contrato (alínea “d”), entre as quais as normas de saúde e higiene, ou quando sofrer ato lesivo da honra e boa fama (alínea “e”). Na hipótese da alínea “d”, o empregado pode permanecer no serviço até a decisão final (art. 483, § 3.º). Uma restrição sistemática, mantida apesar de reclamações ou acompanhada de exposição, pode configurar falta grave o suficiente; um episódio isolado, prontamente corrigido, dificilmente terá esse efeito. Quando a restrição integra um quadro de perseguição, a discussão se aproxima do assédio moral.

As hipóteses e os efeitos da medida estão no artigo sobre a rescisão indireta pelo art. 483 da CLT, inclusive para quem trabalha sem carteira assinada; a ofensa à honra, no artigo sobre o ato lesivo da honra e boa fama.

Como as empresas devem organizar as saídas do posto?

As medidas mais seguras, compatíveis com a jurisprudência atual e com as respostas possíveis do Tema 117, são:

  • adotar política escrita que assegure o uso livre do banheiro, sem cotas de idas nem tempos máximos;
  • dimensionar substitutos ou volantes de acordo com a demanda real de saídas;
  • excluir das metas, dos prêmios e das avaliações o tempo destinado a necessidades fisiológicas;
  • treinar líderes para não questionar, comentar ou expor as saídas de nenhum empregado;
  • tratar ausências injustificadas de forma individual, documentada e proporcional.

Os registros de ausência do posto merecem cuidado adicional. A frequência de idas ao banheiro pode revelar informações sobre a saúde do empregado, e o dado referente à saúde é dado pessoal sensível para a Lei Geral de Proteção de Dados (art. 5.º, II, da Lei n. 13.709/2018). Esses registros devem limitar-se ao necessário para organizar as substituições, com acesso restrito; veja o artigo sobre dados sensíveis na LGPD.

A negociação coletiva também não oferece saída segura. O art. 611-B, XVII, da CLT considera objeto ilícito de convenção ou acordo coletivo a supressão ou a redução de direitos previstos em normas de saúde, higiene e segurança do trabalho previstas em lei ou em normas regulamentadoras, categoria em que se inclui a garantia do item 24.9.8 da NR-24. O Tema 1.046 do STF, que admite a prevalência do negociado sobre o legislado, ressalva os direitos absolutamente indisponíveis. Cláusula que fixe cotas ou tempos máximos para o uso do banheiro tende, por isso, a ser considerada inválida.

Perguntas frequentes sobre controle de uso do banheiro no trabalho

A empresa pode limitar o número de idas ao banheiro?

Não. Para a jurisprudência consolidada do TST, fixar cotas de idas ao banheiro por turno ou por dia é abuso do poder diretivo e gera dano moral. A NR-24 exige que o empregador garanta condições para que o trabalhador interrompa suas atividades e use as instalações sanitárias.

A empresa pode exigir autorização para ir ao banheiro?

Pode pedir que o empregado avise o líder para ser substituído no posto, mas não pode condicionar a saída a uma autorização que possa ser negada ou adiada. Quando a substituição demora ou a permissão depende da conveniência do superior, o aviso se converte em restrição.

Restrição ao uso do banheiro gera dano moral?

Sim. O TST entende que a restrição por controle de tempo ou de frequência gera dano moral presumido, sem necessidade de provar o abalo. O empregado precisa provar a existência da restrição, por documentos, mensagens ou testemunhas.

Qual o valor da indenização por restrição ao uso do banheiro?

Depende da gravidade, da duração e da exposição. O art. 223-G da CLT prevê parâmetros de até 3, 5, 20 ou 50 vezes o último salário contratual, conforme a ofensa seja leve, média, grave ou gravíssima. O STF decidiu que esses limites são orientativos e podem ser superados com fundamentação.

O que é o Tema 117 do TST?

É o incidente de recursos repetitivos em que o TST decidirá se o controle do uso do banheiro é ilícito, se gera dano moral presumido e se a linha de produção com substituição prévia configura distinção. Em outubro de 2026, o tema ainda não havia sido julgado.

O operador de telemarketing pode ir ao banheiro fora das pausas?

Sim. O item 6.7 do Anexo II da NR-17 obriga a empresa a permitir que o operador deixe o posto a qualquer momento da jornada para satisfazer necessidades fisiológicas, sem repercussão em avaliações ou remuneração. As duas pausas de dez minutos têm outra finalidade e não substituem esse direito.

Convenção coletiva pode limitar o uso do banheiro?

Dificilmente. O art. 611-B, XVII, da CLT veda a supressão ou a redução de direitos previstos em normas de saúde, higiene e segurança do trabalho, e o Tema 1.046 do STF preserva os direitos absolutamente indisponíveis. Cláusula que fixe cotas ou tempos máximos tende a ser considerada inválida.

Conclusão

O controle de uso do banheiro no trabalho situa-se no limite entre o poder de organizar a produção e o respeito à dignidade e à saúde do empregado. A jurisprudência do TST admite que a empresa saiba da ausência e organize a substituição, mas considera abusiva a medida que limite, cronometre, condicione ou puna o atendimento de necessidades fisiológicas. O Tema 117 definirá, com efeito vinculante, os contornos dessa orientação; até lá, empregados devem documentar a conduta, e empresas, rever políticas, metas e o dimensionamento de substitutos.

Principais pontos deste artigo:

  • A empresa pode registrar a saída e organizar a substituição, mas não pode limitar idas, fixar tempo máximo, exigir autorização que possa ser negada ou punir.
  • A NR-24 (item 24.9.8) garante a interrupção das atividades para uso das instalações sanitárias; no teleatendimento, a NR-17 (Anexo II, item 6.7) garante a saída a qualquer momento.
  • Para o TST, a restrição gera dano moral presumido, mas o empregado deve provar a restrição.
  • A indenização segue o art. 223-G da CLT, cujos parâmetros o STF considerou orientativos.
  • O Tema 117 do TST, que uniformizará a matéria, ainda aguarda julgamento.

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Maurício Lindenmeyer Barbieri é sócio-gerente da Barbieri Advogados. Mestre em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Inscrito na Ordem dos Advogados da Alemanha (RAK Stuttgart n.º 50.159), de Portugal (Lisboa n.º 64.443L) e do Brasil (OAB/RS n.º 36.798 · OAB/DF · OAB/SC · OAB/PR · OAB/SP). Contador — CRC-RS n.º 106.371/O. Membro da Associação de Juristas Brasil-Alemanha (DBJV). Professor universitário.

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e reflete a legislação e a jurisprudência vigentes em outubro de 2026. Não constitui aconselhamento jurídico nem substitui a análise individualizada de cada caso. Para assessoria especializada, entre em contato com a Barbieri Advogados.

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