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Empilhadeira a GLP: periculosidade na troca do cilindro (Tema 87)

23.10.2025
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17 min de leitura

Atualizado em outubro de 2026.

A periculosidade na empilhadeira a GLP foi definida pelo Tribunal Superior do Trabalho em tese vinculante: o trabalhador que abastece empilhadeiras mediante a troca do cilindro de gás liquefeito de petróleo (GLP) tem direito ao adicional de periculosidade de 30% sobre o salário-base, ainda que a operação dure poucos minutos. Este artigo examina o Tema 87 do TST, o fundamento da regra no art. 193 da CLT e no Anexo 2 da NR-16, a distinção entre exposição intermitente e eventual feita pela Súmula 364 do TST, quem tem direito, como calcular o adicional em 2026 e como a periculosidade é comprovada e cobrada.

Em resumo: quem abastece empilhadeiras trocando cilindros de GLP tem direito ao adicional de periculosidade de 30% sobre o salário-base, ainda que a operação dure poucos minutos. É a tese vinculante do Tema 87 do TST (RRAg-1000840-29.2018.5.02.0471, acórdão publicado em 8/4/2025). A troca precisa ser habitual: o contato eventual, fortuito, não gera o adicional (Súmula 364, I, do TST), e a simples condução da empilhadeira, com o cilindro acoplado, em regra também não. O adicional é integral, não proporcional ao tempo de exposição, não é afastado pelo uso de EPI e reflete em 13.º salário, férias, FGTS e horas extras. Com salário-base de R$ 2.800,00, corresponde a R$ 840,00 por mês.

O que o TST decidiu sobre a periculosidade na empilhadeira a GLP?

Empilhadeiras movidas a GLP são comuns em indústrias, centros de distribuição e armazéns. O combustível fica em um cilindro acoplado ao equipamento, que precisa ser substituído quando o gás se esgota, às vezes mais de uma vez por turno. Em cada troca, o trabalhador fecha a válvula, desconecta o cilindro vazio, instala o cheio e refaz a conexão, manuseando gás inflamável sob pressão. Por anos, as empresas sustentaram que essa operação, de poucos minutos, configuraria contato por tempo extremamente reduzido, insuficiente para gerar o adicional, e os Tribunais Regionais do Trabalho decidiam a questão de forma divergente.

O Tribunal Pleno do TST encerrou a controvérsia ao julgar o Tema 87 da tabela de recursos repetitivos, em reafirmação de sua jurisprudência (RRAg-1000840-29.2018.5.02.0471, acórdão publicado em 8 de abril de 2025). A questão submetida a julgamento era se a troca de cilindro de gás GLP para abastecimento de empilhadeira, feita pelo trabalhador de forma habitual, ainda que perdure poucos minutos, configura contato intermitente apto a autorizar o pagamento do adicional de periculosidade. A tese firmada foi a seguinte:

“O adicional de periculosidade é devido a trabalhador que abastece empilhadeiras mediante a troca de cilindros de gás liquefeito de petróleo (GLP), ainda que a operação ocorra por tempo extremamente reduzido.”

A tese reproduz o entendimento que já prevalecia em todas as Turmas do TST e na Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SBDI-1): no manuseio de inflamáveis, o evento danoso pode ocorrer a qualquer momento, e a curta duração de cada troca não descaracteriza a exposição ao risco. Fixada no regime dos recursos repetitivos (art. 896-C da CLT), a tese é de observância obrigatória pelos juízes e Tribunais Regionais do Trabalho nos processos que tratem da mesma questão. O funcionamento desse sistema é explicado no artigo sobre as teses vinculantes do TST, e a relação oficial dos temas está na página de precedentes vinculantes do TST.

O art. 193 da CLT, na redação dada pela Lei n. 12.740/2012, considera perigosas as atividades ou operações que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a inflamáveis, explosivos ou energia elétrica, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O § 1.º assegura ao empregado um adicional de 30% sobre o salário, sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa. A regulamentação é a Norma Regulamentadora n. 16 (NR-16), cujo Anexo 2 disciplina as atividades e operações perigosas com inflamáveis.

O GLP é um inflamável gasoso liquefeito, categoria expressamente contemplada no Anexo 2. O item 1 do anexo relaciona, entre as atividades perigosas, a produção, o transporte, o processamento e o armazenamento de gás liquefeito, o transporte e a armazenagem de inflamáveis gasosos liquefeitos e o enchimento de vasilhames com esses produtos. O item 3 delimita as áreas de risco e inclui o abastecimento de inflamáveis, cuja área de risco abrange toda a área de operação e, no mínimo, um círculo com raio de 7,5 metros com centro no ponto de abastecimento. As exclusões do item 4 referem-se a líquidos inflamáveis e não alcançam o GLP. A troca do cilindro da empilhadeira não é mencionada nominalmente na norma; a tese do Tema 87 a qualifica como abastecimento do equipamento e reconhece o adicional independentemente da duração da operação.

Transporte, quantidade e tanque de consumo próprio

Dois dispositivos da NR-16 costumam ser invocados nas defesas. O item 16.6 considera perigoso o transporte de inflamáveis gasosos liquefeitos, excluído o transporte em pequenas quantidades, até 135 quilos. Esse limite diz respeito ao transporte, e não ao abastecimento, e a tese do Tema 87 não condiciona o adicional à quantidade de gás do cilindro, em regra de 20 quilos (P-20), capacidade superior à do botijão doméstico, de 13 quilos (P-13). Já o item 16.6.1 determina que as quantidades de inflamáveis contidas nos tanques de consumo próprio dos veículos não sejam consideradas para efeito da norma, e o § 5.º do art. 193 da CLT, incluído pela Lei n. 14.766/2023, afasta a periculosidade quanto aos inflamáveis contidos nos tanques de combustíveis originais de fábrica e suplementares, para consumo próprio de veículos de carga, de máquinas e de equipamentos, certificados pelo órgão competente.

Na prática, a distinção é entre conduzir e abastecer. Quem apenas opera a empilhadeira, com o cilindro já acoplado, em regra não tem direito ao adicional por esse fato, porque o gás está no tanque de consumo próprio do equipamento. O que gera o direito, segundo o Tema 87, é o abastecimento de empilhadeira a gás por meio da troca do cilindro, com o manuseio do recipiente e a conexão e desconexão da válvula. A situação pode ser outra quando o trabalhador permanece habitualmente em área de risco por motivo diverso, como a área de armazenamento de recipientes de GLP, hipótese cujo enquadramento depende de perícia.

Exposição intermitente ou eventual: a Súmula 364 do TST

O art. 193 da CLT fala em exposição permanente, mas a jurisprudência nunca exigiu contato durante toda a jornada. Segundo o item I da Súmula 364 do TST, tem direito ao adicional de periculosidade o empregado exposto permanentemente ou que, de forma intermitente, sujeita-se a condições de risco; o adicional é indevido apenas quando o contato se dá de forma eventual, assim considerado o fortuito, ou o que, sendo habitual, se dá por tempo extremamente reduzido.

A súmula contém, portanto, duas exceções. A primeira, do contato eventual, continua a valer para a troca de cilindros: o empregado que substituiu um cilindro de forma fortuita, fora de suas atribuições normais, não tem direito ao adicional. A segunda, do tempo extremamente reduzido, foi afastada pelo Tema 87 para essa atividade: sendo habitual a troca, a curta duração de cada operação não exclui o direito. Os precedentes que embasaram a tese envolviam trocas habituais de poucos minutos, e a tese não estabelece duração mínima para a operação.

Com que frequência a troca é considerada habitual?

A tese não fixa número mínimo de trocas. Exige-se que a operação integre a rotina de trabalho e se repita ao longo do contrato, ainda que não diariamente. Trocas regulares, previstas entre as atribuições do cargo, caracterizam em regra exposição intermitente; trocas esporádicas, feitas apenas para cobrir ausências ocasionais do responsável, tendem a ser consideradas eventuais. A qualificação depende da prova de cada caso, e é nessa fase que se concentram as discussões remanescentes.

Adicional integral, e não proporcional

Caracterizada a exposição, o adicional é devido integralmente, sem proporcionalidade ao tempo de contato. O item II da Súmula 364 do TST considera inválida a cláusula de acordo ou convenção coletiva que fixe o adicional em percentual inferior ao legal e proporcional ao tempo de exposição ao risco, por se tratar de norma de ordem pública, assegurada pelos arts. 7.º, XXII e XXIII, da Constituição e 193, § 1.º, da CLT. Desde a Reforma Trabalhista, o art. 611-B, XVIII, da CLT também qualifica como objeto ilícito de negociação coletiva a supressão ou a redução do adicional de remuneração para as atividades perigosas.

Quem tem direito ao adicional na troca de cilindros de GLP?

O critério é a atividade, e não o nome do cargo. Tem direito o operador de empilhadeira que troca o cilindro do próprio equipamento, mas também o abastecedor, o auxiliar de logística ou o almoxarife encarregado de substituir os cilindros da frota, e o profissional de manutenção que realize a troca com habitualidade. Pela mesma razão, a denominação de operador não basta: se a empresa atribui a troca a uma equipe específica e o operador nunca manuseia o cilindro, a periculosidade não decorre dessa atividade.

Nas terceirizações, o empregado da empresa contratada para abastecer as empilhadeiras tem direito ao adicional perante o seu empregador, e a tomadora dos serviços responde subsidiariamente pelo inadimplemento (Súmula 331, IV, do TST). Se empregados da própria tomadora também fazem trocas com regularidade, na ausência ou em complemento à equipe terceirizada, a exposição deles é avaliada pelos mesmos critérios. O quadro resume as situações mais frequentes:

Situação Fundamento Adicional de periculosidade
Troca habitual do cilindro de GLP da empilhadeira Tema 87 do TST; art. 193, I, da CLT; Anexo 2 da NR-16 Devido, ainda que a troca dure poucos minutos
Troca eventual, fortuita, fora das atribuições normais Súmula 364, I, do TST Indevido
Apenas conduzir a empilhadeira com o cilindro acoplado Item 16.6.1 da NR-16; art. 193, § 5.º, da CLT Em regra, indevido
Permanência habitual em área de armazenamento de recipientes de GLP Anexo 2, item 1, da NR-16 Depende de perícia
Empregado de empresa terceirizada que faz as trocas Tema 87 do TST; Súmula 331, IV, do TST Devido pelo empregador, com responsabilidade subsidiária da tomadora

Qual o valor do adicional de periculosidade do operador de empilhadeira em 2026?

O adicional corresponde a 30% do salário-base, sem os acréscimos de gratificações, prêmios ou participação nos lucros (art. 193, § 1.º, da CLT). A Súmula 191, I, do TST reforça que ele incide apenas sobre o salário básico, e não sobre este acrescido de outros adicionais. As regras gerais de cálculo estão no artigo sobre o adicional de periculosidade. Considerando o salário mínimo de R$ 1.621,00, vigente em 2026, e outras faixas salariais, os valores são os seguintes:

Salário-base Adicional de periculosidade (30%) Salário-base com o adicional
R$ 1.621,00 (salário mínimo) R$ 486,30 R$ 2.107,30
R$ 2.400,00 R$ 720,00 R$ 3.120,00
R$ 2.800,00 R$ 840,00 R$ 3.640,00
R$ 3.500,00 R$ 1.050,00 R$ 4.550,00

Exemplo com reflexos

Um operador com salário-base de R$ 2.800,00 que troca o cilindro uma vez por turno tem direito a R$ 840,00 mensais de adicional. O adicional pago em caráter permanente integra o cálculo das horas extras e das verbas indenizatórias (Súmula 132, I, do TST) e compõe a base de cálculo do adicional noturno (Orientação Jurisprudencial 259 da SBDI-1 do TST). Com jornada mensal de 220 horas, o valor da hora extra com acréscimo de 50% passa de R$ 19,09 para R$ 24,82. O adicional repercute também no 13.º salário, nas férias acrescidas do terço constitucional, no aviso prévio e nos depósitos do FGTS.

Em um ano, somados o adicional mensal (R$ 10.080,00), os reflexos no 13.º salário (R$ 840,00) e no terço de férias (R$ 280,00) e o FGTS de 8% sobre essas parcelas (R$ 896,00), o adicional representa R$ 12.096,00. Mantido o mesmo salário, a cobrança dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação chega a cerca de R$ 60.480,00, antes da correção monetária e dos juros e sem contar os reflexos em horas extras e adicional noturno.

EPI, treinamento e eliminação do risco

Luvas, óculos, procedimentos padronizados de troca e treinamentos reduzem a probabilidade de acidentes, mas não eliminam o risco de vazamento, incêndio ou explosão inerente ao manuseio do GLP. Por isso, diferentemente do que pode ocorrer com a insalubridade, o fornecimento de equipamento de proteção individual não afasta o adicional de periculosidade. Nos termos do art. 194 da CLT, o direito ao adicional cessa com a eliminação do risco à integridade física do trabalhador.

As medidas que efetivamente alteram o quadro são organizacionais ou tecnológicas: concentrar a troca em uma equipe específica e treinada, que receberá o adicional, retirando essa atribuição dos demais operadores; ou substituir a frota por empilhadeiras elétricas, que não utilizam inflamáveis. A escolha envolve comparar o custo do adicional e de seus reflexos com o investimento na mudança operacional, e deve vir acompanhada da atualização do laudo técnico e do registro de quem efetivamente realiza as trocas.

Como provar e cobrar o adicional?

Perícia técnica

Arguida em juízo a periculosidade, o juiz designa perito habilitado, médico do trabalho ou engenheiro do trabalho, para caracterizá-la (art. 195, caput e § 2.º, da CLT). Depois do Tema 87, a perícia deixa de discutir se a troca de cilindros é, em tese, atividade perigosa e passa a verificar os fatos: se o trabalhador realizava a troca, com que frequência e em que condições. As regras sobre a obrigatoriedade e o funcionamento da prova técnica estão no artigo sobre a perícia de periculosidade. Se a empresa já pagava o adicional, ainda que de forma proporcional ou em percentual inferior ao legal, a perícia é dispensada, porque a periculosidade se torna incontroversa (Súmula 453 do TST).

Outras provas

A frequência das trocas pode ser demonstrada por testemunhas, ordens de serviço, procedimentos internos de abastecimento, registros de treinamento para manuseio de GLP e controles de consumo e de compra de cilindros, que permitem estimar quantas trocas são feitas por turno. Em empresas com muitos operadores na mesma situação, é comum o uso de prova pericial emprestada de outros processos. A responsabilidade pelos honorários do perito segue as regras próprias do processo do trabalho.

Prazo para cobrar

O adicional não pago pode ser cobrado em relação aos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, que deve ser proposta até dois anos após o término do contrato de trabalho (art. 7.º, XXIX, da Constituição). A ação também pode ser ajuizada durante o contrato, com pedido das parcelas vencidas e do pagamento das futuras enquanto persistir a exposição. Os valores são acrescidos de correção monetária e juros.

Outras situações de periculosidade com inflamáveis

A troca de cilindros de empilhadeira é uma entre várias hipóteses de periculosidade por inflamáveis examinadas pela Justiça do Trabalho. A periculosidade em ambientes com tubulações de gás inflamável e na área de abastecimento de aeronaves também tem tratamento próprio, com base no Anexo 2 da NR-16. O art. 193 da CLT abrange, ainda, a energia elétrica e as atividades de segurança pessoal ou patrimonial, e o § 4.º estende o adicional ao trabalho em motocicleta, cujo regime é analisado nos artigos sobre a periculosidade para motoboy e o Tema 101 do TST e sobre o adicional de periculosidade da motocicleta no trabalho.

O empregado exposto ao mesmo tempo a agentes insalubres e perigosos pode optar pelo adicional de insalubridade que porventura lhe seja devido (art. 193, § 2.º, da CLT), mas o TST veda a cumulação dos dois adicionais, ainda que decorrentes de fatos geradores distintos e autônomos (Tema 17 dos recursos repetitivos).

Perguntas frequentes sobre periculosidade na empilhadeira a GLP

Quem troca cilindro de GLP de empilhadeira tem direito a periculosidade?

Sim. Pelo Tema 87 do TST, o trabalhador que abastece empilhadeiras mediante a troca de cilindros de GLP tem direito ao adicional de periculosidade de 30% sobre o salário-base, ainda que a operação ocorra por tempo extremamente reduzido. A tese é de observância obrigatória pelos juízes e Tribunais Regionais do Trabalho.

O operador que apenas dirige a empilhadeira a GLP recebe periculosidade?

Em regra, não. O item 16.6.1 da NR-16 e o § 5.º do art. 193 da CLT afastam a periculosidade quanto ao combustível contido no tanque de consumo próprio de veículos, máquinas e equipamentos. O direito surge com a troca habitual do cilindro ou com a permanência habitual em área de risco, apurada por perícia.

Trocar o cilindro poucas vezes por semana dá direito ao adicional?

Pode dar. A tese não fixa frequência mínima e exige que a troca seja habitual, isto é, parte da rotina de trabalho, ainda que não diária. Trocas esporádicas, feitas apenas para cobrir ausências ocasionais, podem ser consideradas eventuais, hipótese em que o adicional é indevido (Súmula 364, I, do TST).

Qual o valor do adicional de periculosidade do operador de empilhadeira em 2026?

O adicional é de 30% do salário-base, sem gratificações, prêmios ou participação nos lucros. Com salário-base de R$ 2.800,00, são R$ 840,00 por mês; com o salário mínimo de R$ 1.621,00, R$ 486,30. O valor repercute no 13.º salário, nas férias com o terço constitucional, no FGTS, no aviso prévio e nas horas extras.

O uso de EPI afasta a periculosidade na troca de cilindros?

Não. Equipamentos de proteção e treinamentos reduzem a probabilidade de acidentes, mas não eliminam o risco de incêndio ou explosão do GLP. O adicional só deixa de ser devido com a eliminação do risco (art. 194 da CLT), por exemplo, quando o empregado deixa de fazer a troca ou a frota passa a ser elétrica.

O adicional pode ser pago de forma proporcional ao tempo da troca?

Não. O adicional é integral, e a Súmula 364, II, do TST invalida a cláusula coletiva que o fixe em percentual inferior ao legal e proporcional ao tempo de exposição. O art. 611-B, XVIII, da CLT também proíbe a supressão ou a redução do adicional por negociação coletiva.

É possível receber periculosidade e insalubridade ao mesmo tempo?

Não. O art. 193, § 2.º, da CLT permite ao empregado optar pelo adicional de insalubridade que porventura lhe seja devido, e a jurisprudência do TST não admite a cumulação dos dois adicionais, ainda que decorrentes de fatos distintos.

Até quando é possível cobrar o adicional não pago?

A ação deve ser proposta em até dois anos após o fim do contrato e alcança os cinco anos anteriores ao ajuizamento (art. 7.º, XXIX, da Constituição). Durante o contrato, é possível cobrar as parcelas vencidas e pedir o pagamento das futuras enquanto persistir a exposição.

Conclusão

O Tema 87 do TST pacificou a periculosidade na troca de cilindros de empilhadeira a GLP: a operação é perigosa e gera o adicional integral de 30% sobre o salário-base, ainda que dure poucos minutos, desde que seja habitual. A discussão passou a se concentrar nos fatos, isto é, em quem faz a troca, com que frequência e em que condições, o que valoriza a perícia, os registros internos e a organização do trabalho. Para os trabalhadores, a tese facilita a cobrança do adicional e dos reflexos dos últimos cinco anos; para as empresas, exige a revisão das rotinas de abastecimento, da folha de pagamento e dos laudos técnicos.

Principais pontos deste artigo:

  • A troca habitual de cilindros de GLP de empilhadeira gera o adicional de periculosidade, ainda que dure poucos minutos (Tema 87 do TST).
  • O contato eventual, fortuito, não gera o adicional (Súmula 364, I, do TST).
  • Apenas conduzir a empilhadeira com o cilindro acoplado, em regra, não gera o adicional (item 16.6.1 da NR-16 e art. 193, § 5.º, da CLT).
  • O adicional é de 30% do salário-base, integral e não proporcional: R$ 840,00 para um salário-base de R$ 2.800,00.
  • EPI e treinamento não afastam o adicional; o direito cessa apenas com a eliminação do risco (art. 194 da CLT).
  • A cobrança alcança os cinco anos anteriores à ação, proposta até dois anos após o fim do contrato.

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Maurício Lindenmeyer Barbieri é sócio-gerente da Barbieri Advogados. Mestre em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Inscrito na Ordem dos Advogados da Alemanha (RAK Stuttgart n.º 50.159), de Portugal (Lisboa n.º 64.443L) e do Brasil (OAB/RS n.º 36.798 · OAB/DF · OAB/SC · OAB/PR · OAB/SP). Contador — CRC-RS n.º 106.371/O. Membro da Associação de Juristas Brasil-Alemanha (DBJV). Professor universitário.

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e reflete a legislação e a jurisprudência vigentes em outubro de 2026. Não constitui aconselhamento jurídico nem substitui a análise individualizada de cada caso. Para assessoria especializada, entre em contato com a Barbieri Advogados.

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