Cessão de precatório: as novas regras do CNJ e do TJSP
Cessão de precatório: a escritura pública obrigatória no TJSP, a Central Nacional de Cessões proposta pelo CNJ e as regras para herdeiros e compradores.
Atualizado em novembro de 2026.
O auto de infração da Receita Federal é o documento pelo qual o auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil formaliza, ao fim de uma fiscalização, a exigência de tributo federal, juros e multa, ou a aplicação de penalidade isolada, e intima o contribuinte a pagar ou impugnar no prazo legal (arts. 9.º e 10 do Decreto n.º 70.235/1972). Recebê-lo abre um prazo curto e uma decisão com efeito direto sobre o valor da dívida: pagar ou parcelar com redução da multa, ou apresentar impugnação à Delegacia de Julgamento. Desde a Lei Complementar n.º 227/2026, a impugnação deve ser apresentada em 20 dias úteis. Este artigo trata da prática federal: como consultar o auto no e-CAC e no e-Defesa, como contar o prazo, quanto se reduz a multa, como impugnar e recorrer ao CARF. O conceito geral de auto de infração tributário, válido também para autos estaduais e municipais, com os requisitos de validade, as nulidades e a diferença em relação à notificação de lançamento, está no artigo sobre o que é auto de infração.
Em resumo: o auto de infração da Receita Federal é consultado no e-CAC: a intimação fica na Caixa Postal, e os documentos, em Processos Digitais; na malha do Imposto de Renda da pessoa física, a defesa contra a notificação de lançamento conta com o e-Defesa. O prazo para impugnar é de 20 dias úteis contados da ciência, que, na via eletrônica, ocorre na abertura da mensagem ou 15 dias após a entrega, com os prazos suspensos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro. Pagar em até 30 dias da ciência reduz a multa de ofício em 50%, e parcelar, em 40% (art. 6.º da Lei n.º 8.218/1991). A impugnação é julgada pela DRJ e suspende a cobrança sem exigir garantia; da decisão desfavorável cabe recurso voluntário ao CARF em 20 dias úteis.
O auto de infração é o documento pelo qual o auditor-fiscal formaliza, ao fim de uma fiscalização, a exigência de tributo, juros e multa, ou a aplicação de penalidade isolada. O Decreto n.º 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal federal, exige um auto distinto para cada tributo ou penalidade, instruído com os termos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito (art. 9.º). Nas fiscalizações, o auto costuma vir acompanhado de um termo de verificação fiscal, que descreve a apuração e concentra o núcleo da acusação.
Na esfera federal, o mesmo efeito tem a notificação de lançamento, expedida pelo órgão que administra o tributo, em geral a partir de cruzamentos eletrônicos de dados, e dispensada de assinatura quando emitida por processo eletrônico (art. 11). É o documento que recebe, por exemplo, a pessoa física cuja declaração do Imposto de Renda ficou retida em malha, situação tratada no artigo sobre como retificar a declaração do imposto de renda. Os dois constituem o crédito tributário e abrem o mesmo prazo de defesa e as mesmas opções de pagamento, parcelamento e impugnação. As orientações oficiais estão na página da Receita Federal sobre auto de infração e notificação de lançamento.
A consulta é feita no e-CAC, o Centro Virtual de Atendimento da Receita Federal, com a conta gov.br ou o certificado digital do contribuinte ou de procurador cadastrado. A própria Receita indica os seguintes serviços:
Comunicações recebidas por e-mail, mensagem ou carta devem ser conferidas no e-CAC antes de qualquer pagamento, pois é ali que constam o documento autêntico e a data de ciência. Cartas de cobrança podem ser verificadas no serviço de consulta de comunicações de cobrança da Receita Federal.
O e-Defesa é o sistema desenvolvido pelo Serpro para a Receita Federal que apoia a defesa contra a notificação de lançamento do Imposto de Renda da pessoa física decorrente da malha fiscal. Segundo o Serpro, em comunicado de 15 de janeiro de 2021, o sistema permite verificar a autenticidade da notificação, oferece formulários eletrônicos com argumentos sugeridos para cada tipo de infração e indica os documentos que devem acompanhar a defesa, além de admitir a entrega virtual da impugnação.
A entrega segue o serviço oficial “Impugnar notificação de lançamento de imposto de renda”, na plataforma gov.br, que exige conta de nível prata ou ouro. A defesa é apresentada por processo digital, com a escolha da opção de malha fiscal do IRPF e o número da notificação, um único processo por notificação e os documentos anexados em arquivos separados por tipo: impugnação assinada, documento de identificação, provas das alegações, comprovante de pagamento ou de parcelamento da parte não contestada e, se for o caso, a petição inicial da ação judicial. O mesmo serviço recomenda verificar antes se cabe a solicitação de retificação de lançamento (SRL), de análise mais rápida, sem prejuízo da impugnação se o resultado for desfavorável. O e-Defesa não substitui a impugnação das empresas, que segue o rito do Decreto n.º 70.235/1972 descrito adiante.
O prazo para impugnar o auto de infração da Receita Federal é de 20 dias úteis, contados da data em que for feita a intimação (art. 15 do Decreto n.º 70.235/1972, na redação da LC n.º 227/2026), e os prazos processuais ficam suspensos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, inclusive (art. 5.º-A). Até 13 de janeiro de 2026, o prazo era de 30 dias corridos, e algumas páginas de orientação da Receita publicadas antes da mudança ainda mencionam os 30 dias; prevalece a redação atual do Decreto. Na contagem, exclui-se o dia do início e inclui-se o do vencimento, e os prazos só começam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corre o processo (art. 5.º).
O ponto de partida é a data da ciência, que varia conforme a forma de intimação (art. 23, § 2.º):
| Forma de intimação | Considera-se feita |
|---|---|
| Pessoal | Na data da ciência do intimado ou, em caso de recusa, da declaração de quem fizer a intimação |
| Via postal | Na data do recebimento ou, se omitida, 15 dias após a expedição |
| Eletrônica (Caixa Postal do e-CAC) | Na data em que o contribuinte abre a mensagem ou, se não a abrir antes, 15 dias após a data registrada no comprovante de entrega |
| Edital (quando os demais meios forem improfícuos) | 15 dias após a publicação |
Deixar de abrir a Caixa Postal, portanto, não impede que o prazo corra. Se a intimação eletrônica é entregue em 1.º de outubro de 2026 e não é aberta, a ciência considera-se feita em 16 de outubro; contados 20 dias úteis, descontados os fins de semana e o feriado de Finados, o vencimento cai em meados de novembro. A data exata deve ser conferida no processo digital.
Ao receber um auto de infração da Receita Federal, o contribuinte deve confirmar a data da ciência e decidir, dentro dos prazos, entre pagar ou parcelar com redução da multa e impugnar. O roteiro abaixo organiza essas providências.
Antes de decidir, convém conferir se o auto contém os elementos obrigatórios do art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972: qualificação do autuado, local, data e hora da lavratura, descrição do fato, disposição legal infringida e penalidade aplicável, determinação da exigência com intimação para cumpri-la ou impugná-la em 20 dias úteis e assinatura do autuante, com cargo e matrícula. Na esfera federal, são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente e as decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59); as demais irregularidades não geram nulidade e devem ser sanadas quando prejudicarem o contribuinte (art. 60). Os requisitos de validade e as nulidades em todas as esferas, inclusive as normas gerais que a LC n.º 236/2026 incluiu no CTN, estão detalhados no artigo sobre auto de infração tributário.
A conferência inclui ainda o cálculo do tributo, dos juros e da multa, as provas juntadas e o prazo para lançar, cuja contagem depende da modalidade de lançamento e do que foi declarado e pago, tema tratado no artigo sobre decadência e prescrição tributária. Quando a autuação envolve IRPJ e CSLL, a conferência passa pela escrituração entregue ao Fisco; do lado contábil, a Trivium Contábil, parceira da Barbieri Advogados, detalha prazos, obrigados e multas da ECF.
Na esfera federal, quem, notificado do lançamento, paga, compensa ou parcela o débito tem redução da multa de ofício nos percentuais do art. 6.º da Lei n.º 8.218/1991, na redação da Lei n.º 11.941/2009. A redução incide só sobre a multa: o tributo e os juros são devidos integralmente.
| Opção | Redução da multa de ofício | Prazo |
|---|---|---|
| Pagar ou compensar | 50% | 30 dias contados da ciência do lançamento |
| Parcelar | 40% | 30 dias contados da ciência do lançamento |
| Pagar ou compensar após a decisão de primeira instância | 30% | 30 dias contados da ciência da decisão |
| Parcelar após a decisão de primeira instância | 20% | 30 dias contados da ciência da decisão |
| Impugnar | Nenhuma de imediato; a cobrança fica suspensa | 20 dias úteis contados da ciência |
A redução alcança também as penalidades aplicadas isoladamente (art. 6.º, § 3.º), e a rescisão do parcelamento por descumprimento restabelece a multa proporcionalmente ao valor não pago (art. 6.º, § 2.º). É possível impugnar parte do auto e pagar ou parcelar o restante com as reduções; segundo a orientação da Receita Federal sobre os efeitos da impugnação, o pagamento ou parcelamento da parte não questionada no prazo de impugnação garante a redução correspondente. Os prazos de 30 dias da Lei n.º 8.218/1991 não têm a suspensão de fim de ano aplicável à impugnação, de modo que os dois prazos podem terminar em datas diferentes, e o prudente é decidir dentro do mais curto.
A multa de ofício federal é de 75% sobre o tributo não pago, não declarado ou declarado de forma inexata (art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996); nos casos de sonegação, fraude ou conluio, a multa qualificada é de 100%, e de 150% na reincidência (art. 44, § 1.º, VI e VII, na redação da Lei n.º 14.689/2023), com aumento de metade se o contribuinte não atender a intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar arquivos e documentos (art. 44, § 2.º). O teto nacional de 75%, 100% e 150% fixado pela LC n.º 236/2026 (art. 113-A, § 1.º, do CTN), o Tema 863 do STF (RE 736.090, julgado em outubro de 2024) e as demais questões sobre o tema estão no artigo sobre multas tributárias.
O pagamento é feito por DARF, emitido no e-CAC a partir do processo ou da consulta de dívidas; no Simples Nacional, por DAS, emitido no Portal do Simples Nacional. O pagamento integral extingue o crédito, e as demais hipóteses estão no artigo sobre extinção do crédito tributário. O parcelamento ordinário admite até 60 prestações mensais (art. 10 da Lei n.º 10.522/2002), e o pedido deferido constitui confissão de dívida (art. 12), de modo que a parte parcelada deixa de ser discutida na impugnação.
Para débitos em discussão, a Lei n.º 13.988/2020 admite a transação, em modalidades e condições definidas em edital, com descontos que podem alcançar multas e juros; os requisitos estão nos artigos sobre transação tributária e sobre a transação no contencioso administrativo. Em 2026, os Editais de Transação RFB n.º 9 e n.º 10, de julho, admitem adesão até 30 de dezembro de 2026, prazo prorrogado pela Portaria RFB n.º 742/2026 (DOU de 29 de outubro de 2026). O Edital n.º 9 alcança débitos em contencioso administrativo de até R$ 50 milhões por processo, com descontos condicionados à capacidade de pagamento; o Edital n.º 10, débitos em contencioso ou ainda no prazo de impugnação de até 60 salários mínimos (R$ 97.260,00) por processo, de pessoas físicas, MEI, microempresas e empresas de pequeno porte, com desconto de até 50% no pagamento em até 12 parcelas. A adesão importa desistência da impugnação e dos recursos relativos aos débitos incluídos. Sem pagamento nem impugnação, o crédito torna-se definitivo, é inscrito em dívida ativa e pode ser cobrado em execução fiscal.
A impugnação suspende a cobrança, mas não os juros: pela Súmula CARF n.º 5, os juros de mora correm durante a discussão, salvo depósito do montante integral, e, pela Súmula CARF n.º 108, incidem também sobre a multa de ofício. E, iniciado o procedimento de fiscalização, a denúncia espontânea deixa de ser admitida (art. 138, parágrafo único, do CTN).
A impugnação é a defesa administrativa contra o lançamento, apresentada por escrito à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no prazo de 20 dias úteis. Instaura a fase litigiosa (art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972) e suspende a exigibilidade do crédito (art. 151, III, do CTN), sem depósito ou garantia, cuja exigência a LC n.º 236/2026 vedou expressamente (art. 151, § 2.º). Com a exigibilidade suspensa, o débito não impede, por si só, a emissão de certidão positiva com efeitos de negativa (art. 206 do CTN). Os efeitos estão detalhados no artigo sobre suspensão da exigibilidade do crédito tributário.
A impugnação é formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamenta, e apresentada ao órgão preparador (art. 15). Na prática, é juntada ao processo digital pelo e-CAC, no serviço Processos Digitais, e julgada em primeira instância pela DRJ.
O art. 16 do Decreto define o conteúdo obrigatório, resumido no roteiro abaixo.
| Elemento | O que deve conter |
|---|---|
| Autoridade julgadora | A Delegacia de Julgamento a quem a defesa é dirigida |
| Qualificação do impugnante | Dados completos do autuado e, se for o caso, do procurador, com a procuração |
| Fatos e fundamentos | Os motivos de fato e de direito, com os pontos de discordância em relação a cada item do auto |
| Provas | Todos os documentos que sustentam a defesa, juntados desde logo |
| Diligências e perícias | Se pretendidas, os motivos, os quesitos e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação do perito |
| Ação judicial | A informação de que a matéria foi, ou não, levada ao Judiciário, com cópia da petição, se houver |
| Pedido | O cancelamento total ou parcial da exigência, formulado com clareza |
A prova documental deve ser apresentada com a impugnação, sob pena de preclusão, salvo impossibilidade por força maior, fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões trazidos depois aos autos (art. 16, § 4.º). O pedido de diligência ou perícia que não atenda aos requisitos legais, como a formulação de quesitos, considera-se não formulado (art. 16, § 1.º).
Depois da impugnação, a DRJ julga o auto em primeira instância; se mantiver a exigência, cabe recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com efeito suspensivo, em 20 dias úteis contados da ciência da decisão (art. 33 do Decreto n.º 70.235/1972, na redação da LC n.º 227/2026), e as reduções de 30% e 20% da multa ficam disponíveis nos 30 dias seguintes à ciência da decisão. O recurso não depende de depósito ou arrolamento de bens (Súmula Vinculante 21 do STF).
| Etapa | Órgão | Prazo e observação |
|---|---|---|
| Impugnação | DRJ (primeira instância) | 20 dias úteis da ciência do auto; suspende a exigibilidade |
| Processo de até 60 salários mínimos | Órgão colegiado da DRJ, em última instância | Sem recurso ao CARF (art. 23 da Lei n.º 13.988/2020) |
| Recurso voluntário | CARF | 20 dias úteis da ciência da decisão da DRJ, com efeito suspensivo |
| Recurso de ofício | CARF | Quando a DRJ exonera tributo e multa acima de R$ 15 milhões por processo (Portaria MF n.º 2/2023) |
| Recurso especial | Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) | 15 dias da ciência do acórdão, se houver divergência com outro colegiado (art. 37, § 2.º) |
Nos processos de até 60 salários mínimos, o contencioso de pequeno valor termina em órgão colegiado da própria DRJ (art. 23, parágrafo único, da Lei n.º 13.988/2020). Nos demais, a composição do Conselho, o voto de qualidade e as estratégias recursais estão no guia sobre o CARF; o efeito vinculante das súmulas do Conselho, inclusive das 51 tornadas vinculantes pela Portaria MF n.º 1.785/2026, está no artigo sobre as súmulas do CARF; e o caminho completo do processo, no guia sobre o processo administrativo fiscal.
O auto de infração pode ter reflexo penal quando a fiscalização identifica fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária (arts. 1.º e 2.º da Lei n.º 8.137/1990) ou contra a Previdência Social (arts. 168-A e 337-A do Código Penal); nesse caso, a Receita formaliza a representação fiscal para fins penais. Pelo art. 83 da Lei n.º 9.430/1996, ela só é encaminhada ao Ministério Público depois da decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal, regra que o Supremo Tribunal Federal declarou constitucional na ADI 4.980, julgada em 10 de março de 2022. Nos crimes materiais do art. 1.º, I a IV, da Lei n.º 8.137/1990, a própria tipificação depende do lançamento definitivo do tributo (Súmula Vinculante 24 do STF).
Três regras merecem atenção. O parcelamento pedido antes do recebimento da denúncia criminal suspende a pretensão punitiva e a prescrição enquanto o contribuinte estiver incluído no parcelamento (art. 83, §§ 2.º e 3.º). O pagamento integral dos débitos, inclusive acessórios, extingue a punibilidade (art. 9.º, § 2.º, da Lei n.º 10.684/2003). Esses benefícios, porém, não se aplicam ao agente declarado devedor contumaz em decisão administrativa definitiva e inscrito no Cadin (art. 83, § 5.º, II, da Lei n.º 9.430/1996 e art. 9.º, § 3.º, da Lei n.º 10.684/2003, incluídos pela Lei Complementar n.º 225/2026). E, quando o processo é resolvido a favor da Fazenda pelo voto de qualidade no CARF, as multas são excluídas e a representação é cancelada (art. 25, § 9.º-A, do Decreto n.º 70.235/1972). A defesa na esfera penal é tratada no artigo sobre crimes contra a ordem tributária.
Se o auto de infração for de um estado ou município, como nos casos de ICMS, ISS ou IPTU, ele segue a lei de processo administrativo de cada ente, com prazos, órgãos julgadores e canais próprios, e não o rito do Decreto n.º 70.235/1972 descrito neste artigo. Desde a LC n.º 236/2026, o CTN fixa um piso nacional de requisitos, nulidades e garantias para todas as esferas, tratado no artigo sobre auto de infração tributário.
Pelo e-CAC, com a conta gov.br ou o certificado digital do contribuinte ou de procurador cadastrado. A intimação fica na Caixa Postal, que é o domicílio tributário eletrônico, e o auto, com os demonstrativos e as provas da fiscalização, no serviço Processos Digitais.
Vinte dias úteis contados da ciência, conforme o art. 15 do Decreto n.º 70.235/1972, na redação da LC n.º 227/2026; antes, o prazo era de 30 dias corridos. Na intimação eletrônica, a ciência ocorre na abertura da mensagem ou, no máximo, 15 dias após a entrega na Caixa Postal, e os prazos ficam suspensos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro.
É o sistema desenvolvido pelo Serpro para a Receita Federal que apoia a defesa contra a notificação de lançamento do Imposto de Renda da pessoa física decorrente da malha fiscal: permite verificar a autenticidade da notificação, oferece formulários com argumentos por tipo de infração e indica os documentos a juntar. A impugnação é entregue por processo digital, com conta gov.br de nível prata ou ouro.
Na esfera federal, a multa de ofício é reduzida em 50% no pagamento e em 40% no parcelamento feitos em até 30 dias da ciência do lançamento. Depois da decisão de primeira instância, as reduções são de 30% e 20%, nos 30 dias seguintes à ciência da decisão. O tributo e os juros não têm desconto.
No parcelamento ordinário, em até 60 prestações mensais (art. 10 da Lei n.º 10.522/2002). O pedido deferido constitui confissão de dívida, e a parte parcelada deixa de ser discutida na impugnação. Débitos em contencioso podem ainda ser objeto de transação, nas condições de cada edital.
Sim. É possível impugnar os itens controvertidos e pagar ou parcelar a parte não contestada com as reduções da multa. A matéria não contestada expressamente considera-se não impugnada e é cobrada de imediato, em autos apartados (arts. 17 e 21, § 1.º, do Decreto n.º 70.235/1972).
A autoridade declara a revelia, e o processo permanece por 30 dias no órgão preparador para cobrança amigável (art. 21 do Decreto n.º 70.235/1972). Sem pagamento, o débito é encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em dívida ativa e pode ser cobrado em execução fiscal.
O recurso voluntário contra a decisão da Delegacia de Julgamento deve ser apresentado em 20 dias úteis contados da ciência da decisão, com efeito suspensivo (art. 33 do Decreto n.º 70.235/1972). Nos processos de até 60 salários mínimos, o julgamento termina em órgão colegiado da própria DRJ, sem recurso ao CARF.
Pode, quando os fatos configurarem, em tese, crime contra a ordem tributária. Nesse caso, a Receita formaliza a representação fiscal para fins penais, que só é enviada ao Ministério Público depois da decisão final na esfera administrativa (art. 83 da Lei n.º 9.430/1996). O pagamento integral do débito extingue a punibilidade, salvo para o devedor contumaz.
O auto de infração da Receita Federal não encerra a discussão com o Fisco, mas os dias seguintes à ciência concentram as decisões mais importantes: confirmar a data da ciência no e-CAC, conferir a regularidade do auto e a decadência, avaliar o mérito, comparar o custo de pagar ou parcelar com redução e o de impugnar, considerados os juros, e, se for o caso, apresentar a impugnação completa à DRJ. As mudanças de 2026 alteraram prazos e criaram um piso nacional de garantias, mas não a lógica central: o que não for alegado e provado na impugnação dificilmente será discutido depois.
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Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e reflete a legislação e a jurisprudência vigentes em novembro de 2026. Não constitui aconselhamento jurídico nem substitui a análise individualizada de cada caso.
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